Arrecadação federal subiu 7,1% real até agosto; setembro sai na quinta

A Receita divulga a arrecadação de setembro na quinta (22), às 11h. Veja o que os dados de janeiro a agosto mostram e o que observar.

Fachada do prédio do Ministério da Fazenda, com o nome do ministério e a letra P em dourado na parede branca, ao lado de janelas com aparelhos de ar-condicionado.
Prédio do Ministério da Fazenda, no Bloco P da Esplanada dos Ministérios, em Brasília, onde a Receita apresenta a arrecadação, em janeiro de 2023 (imagem de arquivo).Foto: Pedro França / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Na quinta-feira (22), às 11h, a Receita Federal divulga a arrecadação de setembro de 2026. Até agosto, as receitas que a própria Receita administra somavam R$ 2,019 trilhões, com alta real de 7,10% sobre o mesmo período de 2025, segundo a Agência Brasil.

Este texto explica o que os números já mostram e o que observar na coletiva. Não prevemos o resultado de setembro.

Arrecadação é o total que o governo recebe em impostos, contribuições e outras receitas federais. Há dois números porque o total da União inclui também o que outros órgãos federais recolhem. Nesse conceito, o acumulado chegou a R$ 2,112 trilhões, com alta real de 7,12%.

Os dois totais, lado a lado

A tabela mostra os dois conceitos. Os valores são correntes, e a alta é real, ou seja, descontada a inflação.

Os dois conceitos de arrecadação crescem na faixa de 7% Janeiro a agosto de 2026, em R$ trilhões correntes, e alta real sobre o mesmo período de 2025

Série R$ trilhões Alta real
Receitas administradas pela Receita Federal 2,019 7,10%
Total da União, com outros órgãos 2,112 7,12%

Fontes: Receita Federal, via Agência Brasil e reportagem sobre o relatório de agosto. Elaboração: redação.

Agosto teve arrecadação de cerca de R$ 235,5 bilhões, com alta real de 8,25% sobre agosto de 2025, segundo a Agência Brasil. A diferença entre os dois totais do acumulado é de cerca de R$ 93 bilhões, pelo cálculo da redação.

Quanto vem de petróleo e de mudanças de regra

Parte da alta vem de receitas que não se repetem todo mês. O Imposto de Exportação sobre óleo bruto é um exemplo. Esse tributo incide sobre o produto que sai do país. Ele somou R$ 9,9 bilhões de janeiro a agosto, e R$ 1,9 bilhão só em agosto, segundo a Agência Brasil.

Segundo reportagem sobre o relatório de agosto, a Receita classificou esse valor de R$ 1,944 bilhão como atípico, ligado a mudanças na legislação do tributo. O relatório completo não foi localizado para medir o peso de cada item.

Sobre a economia, a Agência Brasil informa que a Receita atribui a alta sobretudo à atividade. Ela cita mais PIS (Programa de Integração Social) e Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), ligados às vendas. Cita também mais IRPJ e CSLL, tributos sobre o lucro das empresas. Segundo a reportagem da TAGD Law, a arrecadação de IRPJ e CSLL cresceu 13,09% em termos reais em agosto.

O que observar na coletiva

Três pontos merecem atenção na quinta. O primeiro é se a Receita separa, no total de setembro, os itens que não se repetem e as mudanças de legislação. O segundo é quanto o petróleo pesa no resultado. O terceiro é se a alta real do acumulado se mantém perto dos 7%.

O que diz a Receita Federal: Segundo a Agência Brasil, a análise da Receita atribui a alta de agosto sobretudo à atividade econômica, como vendas e lucros. A coletiva de quinta será comentada por Claudemir Malaquias, do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros, e por Marcelo Gomide, coordenador de Previsão e Análise, segundo o aviso oficial.

O que isso significa

Até agosto, a arrecadação federal cresceu acima da inflação. Parte da alta vem de receitas pontuais e do petróleo. Os dados públicos consultados não mostram quanto cada fator pesou no total.

Para o contribuinte e para a empresa, a pergunta prática é se essa arrecadação se repete. Se a alta depender de itens pontuais, o ritmo de arrecadação dos próximos meses pode ser menor. Esse ponto só será claro quando a Receita detalhar os números.

Como fizemos: Usamos a divulgação da Receita Federal sobre a arrecadação de agosto, de 22 de setembro de 2026, nas versões publicadas pela Agência Brasil e por reportagem sobre o relatório, acessadas em 21 de outubro de 2026. Os valores são correntes; as altas são reais, descontada a inflação. O total da União inclui recolhimentos de outros órgãos federais. A diferença de R$ 93 bilhões é cálculo nosso (R$ 2,112 trilhões menos R$ 2,019 trilhões). Pequenas diferenças entre reportagens, como R$ 235,5 bilhões e R$ 235,6 bilhões em agosto, vêm de arredondamento. Não localizamos a estimativa do Ipea para setembro nem o relatório completo da Receita, por isso não projetamos o número do mês.

Fontes