Bancos, previdência e fundos detêm 76% da dívida interna federal
Estrangeiros detêm 9,91% da dívida interna federal. Bancos, previdência e fundos somam 76%, segundo dados do Tesouro de agosto de 2026.

Em agosto de 2026, a Dívida Pública Federal (DPF), que soma todas as dívidas do governo federal com credores, chegou a R$ 9,293 trilhões. Quem empresta esse dinheiro ao governo? O relatório mensal do Tesouro Nacional, divulgado em 28 de setembro, traz a resposta. A maior parte está com instituições e investidores do próprio país.
A DPF tem duas partes. A dívida interna são títulos vendidos no Brasil e pagos em reais. A dívida externa é contratada em moeda estrangeira, com títulos e contratos com credores de fora.
Em agosto, a dívida interna somava R$ 8,944 trilhões, e a externa, R$ 348,26 bilhões. O total ficou praticamente estável, com alta de 0,04% sobre julho, segundo a Agência Brasil.
Bancos, fundos e previdência concentram a dívida interna
Segundo a Agência Brasil, com dados do Tesouro, “as instituições financeiras continuam como os principais detentores dos títulos, com 31,22% do estoque”. Instituições financeiras são bancos e outras empresas que compram esses títulos.
Logo atrás vêm a previdência, com 22,63%, e os fundos de investimento, com 22,52%. Fundos de previdência guardam recursos para aposentadorias. Juntos, os três grupos somam 76,37% da dívida interna.
Três grupos concentram 76% da dívida interna Participação de cada detentor no estoque da dívida interna, em agosto de 2026, com valores aproximados em R$ bilhões
| Detentor | Participação | R$ bilhões |
|---|---|---|
| Instituições financeiras | 31,22% | 2.792 |
| Previdência | 22,63% | 2.024 |
| Fundos de investimento | 22,52% | 2.014 |
| Outros (diferença para 100%) | 10,38% | 928 |
| Não residentes (estrangeiros) | 9,91% | 886 |
| Seguradoras | 3,34% | 299 |
Fonte: Tesouro Nacional, Relatório Mensal da Dívida de agosto de 2026, via Agência Brasil. Valores em reais calculados pela redação sobre a dívida interna de R$ 8,944 trilhões. Elaboração: redação.
Nas reportagens que consultamos, o governo e as pessoas físicas não aparecem com percentual próprio. Por isso, a linha “outros” reúne tudo que não foi detalhado.
Estrangeiros detêm fatia pequena, em reais
Investidores não residentes, ou seja, estrangeiros, detinham 9,91% da dívida interna em agosto. A fatia subiu 0,09 ponto percentual sobre julho, quando estava em 9,82%. Em valores, foi de R$ 879,07 bilhões para R$ 886,3 bilhões.
A dívida externa soma cerca de 3,7% do total (cálculo nosso). Somando-a à parte dos não residentes, o peso estrangeiro fica perto de 13% da DPF (cálculo nosso). Essa conta é uma estimativa, porque as reportagens não separam a dívida externa por detentor.
Pessoas físicas aparecem pelo Tesouro Direto
Pessoas físicas compram títulos pelo Tesouro Direto, programa do Tesouro Nacional em parceria com a B3. Em agosto, o estoque nesse programa chegou a R$ 272 bilhões, com 3,83 milhões de investidores ativos, segundo a Agência Brasil.
O valor equivale a cerca de 2,9% da DPF (cálculo nosso). Quem aplica em fundos ou previdência também tem títulos, mas de forma indireta. Essas aplicações entram nas categorias de fundos e previdência.
Para onde vai o juro
Os juros da dívida são incorporados ao estoque, e fazem a conta crescer. Só em agosto, esses juros somaram R$ 88,39 bilhões, segundo a Agência Brasil. As reportagens não mostram quanto cada grupo recebeu.
Em termos gerais, quem tem mais títulos recebe mais juros. Por isso, a participação no estoque ajuda a estimar quem ganha com a dívida.
O que diz o Tesouro Nacional: o órgão divulga a composição da dívida no Relatório Mensal da Dívida, publicado em 28/09/2026 com dados de agosto, segundo a Agência Brasil. Esta análise não incluiu contato direto com o Tesouro.
O que isso significa
Os dados de agosto mostram uma dívida interna, em reais, com credores do próprio país. Os estrangeiros detêm cerca de um décimo dessa parte. Bancos, fundos e previdência concentram três quartos da dívida interna, e na proporção dos títulos que têm, são eles que mais recebem juros.
Quando o relatório de setembro for publicado, será possível ver se essa composição mudou. Até lá, o retrato de agosto é o mais recente verificado nesta apuração.
Como fizemos: Usamos os números de agosto de 2026 da Dívida Pública Federal divulgados pelo Tesouro Nacional, por meio da cobertura da Agência Brasil, acessada em 23/10/2026. Não conseguimos abrir o texto oficial do Relatório Mensal da Dívida, por isso os percentuais e o estoque vêm das reportagens. Os valores em reais por detentor são a participação multiplicada pela dívida interna de R$ 8,944 trilhões. São cálculos nossos também a fatia de 3,7% da dívida externa, o peso de cerca de 13% com estrangeiros (não residentes mais dívida externa), o peso de 2,9% do Tesouro Direto sobre R$ 9,293 trilhões e a linha “outros”, que é a diferença para 100%. Os dados não mostram o juro recebido por cada grupo, nem a parcela de pessoas físicas no relatório.
Fontes
- Dívida pública federal atinge R$ 9,29 trilhões em agosto de 2026 – Tribuna do Paraná, 28/09/2026 (acesso em 23/10/2026)
- Dívida pública federal fica estável em agosto e chega a R$ 9,29 tri – Agência Brasil, via Acessa (acesso em 23/10/2026)
- Tesouro Direto bate recorde em agosto com R$ 15 bi em investimentos – Agência Brasil, via Diário de Pernambuco, 25/09/2026 (acesso em 23/10/2026)
- Tesouro Direto chega a R$ 272,3 bi em estoque em julho – Poder360 (acesso em 23/10/2026)
- Relatório Mensal da Dívida, agosto de 2026 – Tesouro Nacional (cópia hospedada pelo Poder360; referência, texto não lido na apuração)
- Ministério da Fazenda, 15/03/2017 – Marcelo Camargo / Agência Brasil, Wikimedia Commons (CC BY 2.0) (acesso em 23/10/2026)



