Guimarães diverge de Durigan e diz que ajuste não é prioridade

Ministro da articulação diz que pacote não está em discussão; horas antes, Fazenda prometeu medidas para buscar o centro da meta fiscal.

José Guimarães, de terno azul, sentado no plenário do Senado durante sessão solene
O ministro José Guimarães durante sessão solene no Congresso Nacional, em Brasília, em 16 de outubro de 2026.Foto: Edilson Rodrigues / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, disse nesta terça-feira (27) que um pacote de ajuste fiscal não é prioridade do governo até o fim do ano. Segundo o InfoMoney, ele afirmou que o assunto não está em discussão na bancada governista nem no governo.

A declaração contraria a linha apresentada horas antes pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. Ele disse que o governo já tem medidas prontas e que vai buscar formalmente o centro da meta fiscal. A divergência ocorre quando o Congresso terá de examinar propostas com efeitos sobre o Orçamento de 2027.

Guimarães comanda a articulação política, função que negocia as votações com deputados e senadores. Por isso, sua definição de prioridades ajuda a indicar o que o Executivo pretende colocar em votação até 20 de dezembro.

Dois discursos no mesmo dia

Fazenda e articulação política apresentam agendas diferentes Declarações publicadas em 27 de outubro de 2026

Autoridade O que afirmou O que ficou sem detalhe
Dario Durigan, Fazenda Há medidas prontas para buscar o centro da meta fiscal Conteúdo e cronograma das propostas
José Guimarães, articulação Ajuste fiscal não é prioridade e não está em discussão Como a proposta da Fazenda avançará no Congresso

Fontes: Agência Brasil, CNN Brasil, InfoMoney e G1.

Durigan afirmou que a proposta deve ampliar a parcela do Orçamento sujeita a contingenciamento. Esse mecanismo permite ao governo reter temporariamente despesas. Hoje, o bloqueio é calculado para cumprir o piso da meta, segundo a CNN Brasil.

A meta fiscal é o objetivo para o resultado primário, a diferença entre receitas e despesas antes dos juros da dívida. Para 2027, o centro prevê superávit de R$ 73,2 bilhões. O piso é de R$ 36,6 bilhões, informou a Rádio Metrópole.

A diferença entre os dois níveis é de R$ 36,6 bilhões. Durigan disse que um projeto de lei complementar pode dar segurança jurídica à busca pelo centro. Esse tipo de projeto precisa de maioria absoluta, ou seja, ao menos 257 deputados e 41 senadores.

Três prioridades e o Orçamento

Guimarães citou outras três pautas: a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, a medida provisória sobre as bets e a proposta de tarifa zero no transporte público. PEC é uma mudança na Constituição. Medida provisória é um ato do presidente com força de lei, sujeito a votação.

“Se nós votarmos essas três grandes pautas, já nos daremos por satisfeitos”, disse o ministro, segundo o G1. Em outra declaração publicada por O Povo, ele também incluiu o Orçamento de 2027 entre as tarefas de novembro.

A tarifa zero terá financiamento debatido com os presidentes do Congresso. Guimarães disse que a proposta inicial usa emendas parlamentares, verbas indicadas por parlamentares no Orçamento. Ele afirmou ainda não saber o valor necessário, segundo O Povo.

As declarações não detalham se a Fazenda retirará ou alterará sua proposta. Também não mostram um calendário comum para as medidas. Até o fechamento desta reportagem, o conteúdo completo do plano anunciado por Durigan não havia sido apresentado.

O que dizem os dois ministros: Guimarães afirmou que o ajuste “não foi discutido, e nem está sendo discutido” e priorizou três pautas até dezembro. Durigan disse que “já temos medidas prontas, como a busca pelo centro da meta”, em declarações registradas pelo G1 e pela Agência Brasil.

O que está em aberto

A diferença de discursos deixa duas questões objetivas. A primeira é qual agenda o governo enviará ao Congresso. A segunda é como compatibilizar novas despesas, a busca pelo centro da meta e a votação do Orçamento.

O próximo sinal será a apresentação dos textos prometidos pela Fazenda. Sem eles, não é possível calcular quanto cada medida pode economizar nem avaliar o efeito sobre serviços públicos e investimentos.

Como fizemos: Comparamos declarações publicadas em 27/10/2026 por InfoMoney, G1, O Povo, Agência Brasil, CNN Brasil e Rádio Metrópole. A diferença de R$ 36,6 bilhões entre centro e piso da meta de 2027 foi calculada a partir dos valores publicados. Não estimamos custos da tarifa zero nem economia das medidas fiscais, pois os textos e valores não foram apresentados.

Fontes