Guimarães diverge de Durigan e diz que ajuste não é prioridade
Ministro da articulação diz que pacote não está em discussão; horas antes, Fazenda prometeu medidas para buscar o centro da meta fiscal.

O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, disse nesta terça-feira (27) que um pacote de ajuste fiscal não é prioridade do governo até o fim do ano. Segundo o InfoMoney, ele afirmou que o assunto não está em discussão na bancada governista nem no governo.
A declaração contraria a linha apresentada horas antes pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. Ele disse que o governo já tem medidas prontas e que vai buscar formalmente o centro da meta fiscal. A divergência ocorre quando o Congresso terá de examinar propostas com efeitos sobre o Orçamento de 2027.
Guimarães comanda a articulação política, função que negocia as votações com deputados e senadores. Por isso, sua definição de prioridades ajuda a indicar o que o Executivo pretende colocar em votação até 20 de dezembro.
Dois discursos no mesmo dia
Fazenda e articulação política apresentam agendas diferentes Declarações publicadas em 27 de outubro de 2026
| Autoridade | O que afirmou | O que ficou sem detalhe |
|---|---|---|
| Dario Durigan, Fazenda | Há medidas prontas para buscar o centro da meta fiscal | Conteúdo e cronograma das propostas |
| José Guimarães, articulação | Ajuste fiscal não é prioridade e não está em discussão | Como a proposta da Fazenda avançará no Congresso |
Fontes: Agência Brasil, CNN Brasil, InfoMoney e G1.
Durigan afirmou que a proposta deve ampliar a parcela do Orçamento sujeita a contingenciamento. Esse mecanismo permite ao governo reter temporariamente despesas. Hoje, o bloqueio é calculado para cumprir o piso da meta, segundo a CNN Brasil.
A meta fiscal é o objetivo para o resultado primário, a diferença entre receitas e despesas antes dos juros da dívida. Para 2027, o centro prevê superávit de R$ 73,2 bilhões. O piso é de R$ 36,6 bilhões, informou a Rádio Metrópole.
A diferença entre os dois níveis é de R$ 36,6 bilhões. Durigan disse que um projeto de lei complementar pode dar segurança jurídica à busca pelo centro. Esse tipo de projeto precisa de maioria absoluta, ou seja, ao menos 257 deputados e 41 senadores.
Três prioridades e o Orçamento
Guimarães citou outras três pautas: a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, a medida provisória sobre as bets e a proposta de tarifa zero no transporte público. PEC é uma mudança na Constituição. Medida provisória é um ato do presidente com força de lei, sujeito a votação.
“Se nós votarmos essas três grandes pautas, já nos daremos por satisfeitos”, disse o ministro, segundo o G1. Em outra declaração publicada por O Povo, ele também incluiu o Orçamento de 2027 entre as tarefas de novembro.
A tarifa zero terá financiamento debatido com os presidentes do Congresso. Guimarães disse que a proposta inicial usa emendas parlamentares, verbas indicadas por parlamentares no Orçamento. Ele afirmou ainda não saber o valor necessário, segundo O Povo.
As declarações não detalham se a Fazenda retirará ou alterará sua proposta. Também não mostram um calendário comum para as medidas. Até o fechamento desta reportagem, o conteúdo completo do plano anunciado por Durigan não havia sido apresentado.
O que dizem os dois ministros: Guimarães afirmou que o ajuste “não foi discutido, e nem está sendo discutido” e priorizou três pautas até dezembro. Durigan disse que “já temos medidas prontas, como a busca pelo centro da meta”, em declarações registradas pelo G1 e pela Agência Brasil.
O que está em aberto
A diferença de discursos deixa duas questões objetivas. A primeira é qual agenda o governo enviará ao Congresso. A segunda é como compatibilizar novas despesas, a busca pelo centro da meta e a votação do Orçamento.
O próximo sinal será a apresentação dos textos prometidos pela Fazenda. Sem eles, não é possível calcular quanto cada medida pode economizar nem avaliar o efeito sobre serviços públicos e investimentos.
Como fizemos: Comparamos declarações publicadas em 27/10/2026 por InfoMoney, G1, O Povo, Agência Brasil, CNN Brasil e Rádio Metrópole. A diferença de R$ 36,6 bilhões entre centro e piso da meta de 2027 foi calculada a partir dos valores publicados. Não estimamos custos da tarifa zero nem economia das medidas fiscais, pois os textos e valores não foram apresentados.
Fontes
- Ministro de Relações Institucionais diz que ajuste fiscal não é prioridade do governo — InfoMoney (27/10/2026)
- Ministro diz que ajuste fiscal não é prioridade para 2026 — G1 (27/10/2026)
- Prioridade no Congresso são PEC da Segurança, MP das Bets, Orçamento e tarifa — O Povo (27/10/2026)
- Governo buscará cumprir meta fiscal com diálogo, diz Durigan — Agência Brasil (27/10/2026)
- Durigan diz que vai propor ajustes fiscais para perseguir centro da meta — CNN Brasil (27/10/2026)
- Ministro diz que governo prepara medida para garantir cumprimento da meta fiscal — Rádio Metrópole (27/10/2026)
- Foto: Sessão Solene, 16 de outubro de 2026 — Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)



