Seis dos 11 leilões de rodovias de 2027 já estavam previstos para 2026
O Ministério dos Transportes apresentou na B3 a carteira de 2027; o plano de 2026 previa 13 concessões, e só três foram realizadas até julho.

Na quinta-feira (15), na B3, a bolsa de valores de São Paulo, o Ministério dos Transportes apresentou a carteira de concessões rodoviárias para 2027. São 11 leilões de rodovias federais, em oito estados, com 4.455,68 km. O governo estima cerca de R$ 102,7 bilhões em investimentos e custos de operação ao longo dos contratos, segundo o Poder360.
Mas seis dos 11 leilões já estavam previstos para 2026 e foram empurrados para 2027, segundo o Diário do Comércio. A Agência iNFRA fala em sete projetos nessa situação. Em qualquer contagem, mais da metade da lista de 2027 é um compromisso antigo com data nova.
O que estava previsto para 2026
Concessão é um contrato em que uma empresa privada cuida de uma rodovia por um prazo. Em troca, ela cobra pedágio e faz as obras previstas no contrato. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) regula e fiscaliza esses contratos.
Em 2026, o ministério previa 13 concessões rodoviárias. Depois de mais da metade do ano, tinha realizado apenas três, segundo a CNN Brasil. Três leilões foram adiados para 2027: o da BR-393, no Rio de Janeiro, e dois lotes de rodovias integradas de Santa Catarina.
Previsto e realizado: concessões rodoviárias federais Número de leilões por ano. Situação de 2026 em julho; 2027, segundo a carteira apresentada em 15 de outubro
| Ano | Previsto | Situação |
|---|---|---|
| 2026 | 13 | 3 realizados até julho |
| 2027 | 11 | Ainda não começou; 6 já estavam na carteira de 2026 |
Fonte: CNN Brasil (24/7/2026) e Diário do Comércio (15/10/2026). Elaboração: redação.
Ao comentar a meta de 2026, o ministro George Santoro disse à CNN que ela “não está mais no horizonte”.
O que muda em 2027
Dos 11 projetos, nove são novos estudos de concessão. Os outros dois são otimizações contratuais, ou seja, mudanças em contratos que já existem: a Transbrasiliana (BR-153/SP) e o Planalto Sul (BR-116/PR/SC), segundo o Poder360.
Os nove projetos novos somam 3.721 km e R$ 86,2 bilhões. As duas otimizações somam 734 km e R$ 16,5 bilhões, de acordo com o Diário do Comércio.
Os editais devem sair entre março e setembro de 2027. Os leilões estão previstos para o período de junho a dezembro. Os primeiros são os da Rota Integração do Sul e da Rota Portuária do Sul, no Rio Grande do Sul.
Os números em conta
Até julho, o país tinha realizado 23% da meta de 2026 (3 de 13). Mais da metade da carteira de 2027, 6 de 11 ou 55%, já vinha do plano anterior. Essas são contas nossas sobre os números publicados.
O valor de R$ 102,7 bilhões é uma estimativa do próprio governo para obras e custos de operação. Ainda não é dinheiro gasto, e depende de cada contrato ser assinado.
O que diz o Ministério dos Transportes: Em julho, o ministro George Santoro disse à CNN Brasil que a meta de 13 concessões de 2026 “não está mais no horizonte”, e que “nós colocamos metas ambiciosas”. Não localizamos, até a publicação, nota oficial do ministério sobre a carteira de 2027 ou sobre o adiamento.
O que isso significa
O cronograma de 2027 começa com editais que ainda não saíram. Cada adiamento empurra para depois as obras previstas nos contratos.
Os leilões de 2027 acontecem depois do segundo turno de 25 de outubro, qualquer que seja o resultado. O acompanhamento é objetivo: cada edital publicado e cada leilão realizado mostram se a carteira sai do papel.
Como fizemos: Usamos as reportagens sobre a apresentação na B3, em 15 de outubro de 2026, do Poder360, do Diário do Comércio e da Agência iNFRA, e a reportagem da CNN Brasil de 24 de julho de 2026 sobre o plano de 2026, acessadas em 21 de outubro de 2026. Calculamos 3 de 13 (23%) e 6 de 11 (55%). Os investimentos variam pelo arredondamento: o Poder360 informa R$ 102,7 bilhões, e o Diário do Comércio, R$ 102,6 bilhões. A Agência iNFRA cita sete projetos já programados para 2026, e o Diário do Comércio, seis; usamos a contagem explícita do Diário. Não localizamos o comunicado oficial do ministério no gov.br.



