OpenAI recebe US$ 11 bi, mas rodada fica abaixo da meta

Primeira parcela entrou na sexta e avalia a empresa em US$ 1,25 trilhão; rodada pode chegar a US$ 20 bilhões, ante meta de US$ 30 bilhões.

Sam Altman, Masayoshi Son, Shigeru Ishiba e Takeshi Iwaya posam em uma sala da residência oficial japonesa
Sam Altman, Masayoshi Son, o então premiê Shigeru Ishiba e Takeshi Iwaya em Tóquio, em fevereiro de 2025.Foto: Escritório do Primeiro-Ministro do Japão / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

A OpenAI recebeu US$ 11 bilhões em novos recursos nesta sexta-feira (6), segundo pessoas familiarizadas com a operação ouvidas pela Bloomberg. É a primeira parcela de uma rodada que atribui à empresa de inteligência artificial uma avaliação de US$ 1,25 trilhão.

SoftBank e MGX, fundo de investimento de Abu Dabi, participaram do aporte, segundo investidores ouvidos pela Reuters. A rodada completa ainda não foi fechada. Ela pode alcançar cerca de US$ 20 bilhões nas próximas semanas.

Dinheiro recebido não é promessa

O valor depositado equivale a 36,7% da meta de US$ 30 bilhões reportada pela Bloomberg em setembro. Se o total chegar a US$ 20 bilhões, a rodada alcançará 66,7% daquele objetivo. Até lá, a diferença entre o valor atual e a projeção permanece sem fechamento.

Primeira parcela cobre pouco mais de um terço da meta inicial Valores da rodada em bilhões de dólares e proporção da meta reportada

Situação Valor Parcela da meta
Meta reportada em setembro US$ 30 100%
Recebido até esta sexta US$ 11 36,7%
Total possível no fechamento US$ 20 66,7%

Fonte: Bloomberg, Reuters e TechCrunch. Percentuais calculados pela redação. O total de US$ 20 bilhões é uma expectativa, não um valor garantido.

A distinção entre receber e pretender captar é central neste caso. A primeira etapa transferiu recursos efetivos, segundo a apuração. Os até US$ 9 bilhões restantes dependem da conclusão da rodada. Investidores líderes, condições detalhadas e destinação do dinheiro não foram divulgados.

Avaliação também fica abaixo do inicial

Em setembro, a imprensa apontava uma avaliação pretendida de US$ 1,4 trilhão. Dois investidores disseram à Reuters que o valor inicial chegou a US$ 1,5 trilhão. O patamar atual, portanto, ficou abaixo das cifras anteriormente relatadas.

Há uma ressalva da própria OpenAI. A diretora financeira, Sarah Friar, afirmou em entrevista televisiva que a avaliação mais alta surgiu na imprensa e não partiu da empresa. A declaração foi reproduzida pelo 24/7 Wall St.

O veículo identifica os US$ 1,25 trilhão como valor “pré-money”, calculado antes da entrada dos novos recursos. Nem todas as reportagens detalham a base de cálculo. Por isso, a comparação histórica deve ser tratada como aproximada, não como uma variação contábil exata.

O que diz a OpenAI: Sarah Friar confirmou a avaliação de US$ 1,25 trilhão em entrevista, segundo o 24/7 Wall St, mas contestou a origem da cifra inicial mais alta. A empresa não comentou o aporte à TechCrunch até a publicação da reportagem.

O que a rodada diz aos investidores

A avaliação de uma empresa fechada resulta de uma negociação privada. Não é o valor de mercado calculado diariamente por negócios em bolsa. Também não garante o preço de uma futura oferta pública inicial de ações, etapa conhecida como IPO.

A OpenAI havia indicado a intenção de abrir capital em 2026, mas adiou o plano. A expectativa agora é de IPO em algum momento de 2027, segundo a TechCrunch. A rodada menor que a meta inicial mostra mais cautela dos investidores, mas não comprova dificuldade imediata de operação.

O próximo dado decisivo será o fechamento da rodada. Ele dirá se os US$ 20 bilhões serão alcançados e em quais condições. Para quem acompanha o setor, a informação mais concreta até agora é o aporte efetivo: US$ 11 bilhões, não os valores ainda esperados.

Como fizemos: Comparamos as reportagens da TechCrunch, da Reuters e do 24/7 Wall St sobre a primeira parcela recebida em 6 de novembro. Dividimos US$ 11 bilhões e US$ 20 bilhões pela meta de US$ 30 bilhões. Não tratamos a expectativa como concluída nem a avaliação privada como preço de ação em bolsa.

Fontes