Veículos crescem 12,6% no ano, mas caminhões e ônibus caem

Fenabrave eleva projeção anual para 12,8%, puxada por leves e motos; eletrificados dobram participação nos emplacamentos.

Ônibus articulado do sistema BRT parado em terminal do Rio de Janeiro
Ônibus do BRT no Terminal Gentileza, no Rio de Janeiro, em 16 de janeiro de 2025.Foto: André L P de Souza / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

O Brasil emplacou 4.722.650 veículos novos entre janeiro e outubro, alta de 12,62% sobre o mesmo período de 2025. Com esse ritmo, a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) elevou sua projeção para 2026 de 8,6% para 12,8%.

A expectativa é chegar a quase 5,6 milhões de unidades. O resultado acumulado é o segundo maior da série, atrás de 2011. A expansão, porém, não atinge todos os segmentos: caminhões e ônibus seguem em queda no ano.

Leves e motos sustentam o crescimento

Automóveis e comerciais leves somaram 2.410.505 emplacamentos até outubro, aumento de 17,29%. As motocicletas chegaram a 1.985.816 unidades, alta de 8,90% e maior volume acumulado da série para o segmento.

Juntos, esses dois grupos representam cerca de 93% dos emplacamentos totais informados pela Fenabrave. A concentração explica por que a projeção geral melhora mesmo com desempenho negativo nos veículos pesados.

Alta geral esconde retração nos veículos pesados Emplacamentos acumulados de janeiro a outubro de 2026

Segmento Unidades Variação anual
Automóveis e comerciais leves 2.410.505 +17,29%
Motocicletas 1.985.816 +8,90%
Total de veículos 4.722.650 +12,62%
Caminhões e ônibus Não detalhado na síntese -4,18%
Veículos eletrificados 524.766 Acima de +130%

Fonte: Fenabrave, 04/11/2026. Participações de leves e motos no total calculadas pela redação.

Caminhões e ônibus acumulam queda de 4,18%. Em setembro, a retração era de 8,36%, o que indica redução da perda, não retorno ao crescimento. A Fenabrave associa a melhora gradual ao Programa Move Brasil, de incentivo à renovação da frota.

Outubro também mostra que o calendário interfere na leitura mensal. O total caiu 4,06% ante setembro e 0,85% ante outubro de 2025. Este ano teve 21 dias úteis no mês, contra 23 no ano passado.

Eletrificados dobram participação nos leves

Os veículos eletrificados cresceram mais de 130% no acumulado e somaram 524.766 unidades. A categoria reúne modelos híbridos e totalmente elétricos. Não representa, portanto, apenas carros movidos exclusivamente a bateria.

Entre automóveis e comerciais leves, a participação dos eletrificados passou de 10,67% para 20,54% dos emplacamentos. Praticamente dobrou em um ano. O dado aponta mudança de composição, não redução equivalente de toda a frota que continua circulando.

As motos respondem por outro movimento relevante para o trabalho e a mobilidade. Segundo o presidente da Fenabrave, Arcelio Junior, o segmento atende necessidades individuais e atividades profissionais nas cidades. Entregas e deslocamentos diários ajudam a explicar a demanda.

A projeção otimista não elimina o custo do financiamento. A Selic está em 13,75% ao ano após a decisão de quarta-feira (4). A taxa básica não é a taxa final do crédito, mas compõe o ambiente de juros enfrentado por consumidores e empresas.

Para transportadores, a queda nos pesados tem leitura diferente da compra de um automóvel. O investimento depende de frete, atividade econômica e condições de crédito. A melhora parcial após o Move Brasil será observada nos próximos emplacamentos.

O que diz a Fenabrave: Arcelio Junior afirma que os resultados permitem uma avaliação mais favorável para o fechamento do ano. A entidade destaca leves e motos, mas mantém projeção de retração para caminhões e ônibus, ainda que menor que a estimada anteriormente.

O que falta para confirmar a projeção

Para alcançar quase 5,6 milhões, o mercado ainda precisa emplacar aproximadamente 877 mil veículos em novembro e dezembro. Esse valor é a diferença aritmética entre a projeção arredondada e o acumulado até outubro, não uma meta oficial mensal.

Os próximos dados mostrarão se o calendário explica toda a queda de outubro e se os pesados continuarão perdendo menos. Também indicarão se eletrificados manterão a participação acima de 20% nos leves. O crescimento geral é forte, mas seus efeitos variam por segmento.

Como fizemos: Comparamos volumes e variações do balanço da Fenabrave divulgado pela Agência Brasil. Calculamos a participação conjunta de leves e motos no total e a diferença entre a projeção arredondada e o acumulado. Não ajustamos as séries por dias úteis nem separamos híbridos de elétricos puros porque a síntese não oferece essa abertura.

Fontes