China limita embargo do frango a 14 unidades de Santa Catarina

Após foco de Newcastle em granja de perus, Pequim suspendeu 14 estabelecimentos catarinenses, enquanto o México barrou aves de todo o Brasil.

Caixa de frango congelado com selo de inspeção federal (S.I.F.) e rótulo em chinês, em primeiro plano, com três funcionários de touca e protetor auricular desfocados ao fundo, dentro de um frigorífico.
Caixa de frango congelado com selo S.I.F. destinada à China, em frigorífico de Boituva (SP), em janeiro de 2020. A foto ilustra as exportações de frango ao mercado chinês, não os estabelecimentos catarinenses citados.Foto: Governo do Estado de São Paulo (agriculturasp) / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O foco de doença de Newcastle foi confirmado no domingo (18) em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba, no oeste de Santa Catarina. Dois dias depois, a China decidiu suspender a compra de frango de 14 estabelecimentos catarinenses. O restante do país ficou fora dessa medida.

A doença de Newcastle é uma infecção viral que atinge aves. Pelo acordo entre Brasil e China, o país faz um autoembargo inicial quando surge esse tipo de caso. Depois, cabe a Pequim definir até onde vai a restrição, segundo a Forbes Agro.

O que a China decidiu

“Ao todo são 14 estabelecimentos em Santa Catarina que exportam frango para lá”, disse o secretário Augusto Billi, do Ministério da Agricultura (Mapa), ao g1. A informação foi reproduzida pelo NSC Total.

Dos 61 estabelecimentos habilitados a vender frango à China, 14 ficaram suspensos. Isso equivale a cerca de 23% do total, em nossa conta. Os outros 47 seguem habilitados, pela mesma conta, já que a China limitou a medida ao estado.

A decisão chinesa não é a única. O México suspendeu a importação de produtos avícolas de todo o Brasil. O Chile limitou a restrição a Santa Catarina. Relatos sobre Malásia e Arábia Saudita divergem, e não localizamos a lista oficial completa do Mapa.

Quanto está em jogo

Santa Catarina respondeu por 24,6% da receita nacional com carne de frango de janeiro a setembro de 2026. Foram US$ 2,09 bilhões, segundo a Epagri. O estado também vendeu 22,7% do volume exportado no período.

No total do país, as exportações de carne de frango somaram US$ 8,673 bilhões de janeiro a setembro, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Em setembro, a China comprou 40,9 mil toneladas, contra 51 toneladas em setembro de 2025. O país ficou em terceiro lugar entre os destinos.

Em 2025, Santa Catarina exportou US$ 114,7 milhões de frango para a China, segundo o Agrostat, sistema do Mapa. Analistas ouvidos pela Forbes Agro avaliam que o foco “provavelmente não causará danos econômicos duradouros”, se for contido rapidamente.

Frango em jogo: números de 2026 Exportações de carne de frango, em dólares e toneladas

Indicador Valor
Santa Catarina, receita jan.–set. US$ 2,09 bi
Brasil, receita jan.–set. US$ 8,673 bi
China, volume em set./2026 40,9 mil t
Santa Catarina para a China, 2025 US$ 114,7 mi

Fontes: Epagri (SC), ABPA (Brasil e China) e Agrostat/Mapa (SC para a China, 2025). Elaboração: redação.

O papel do serviço sanitário

O foco foi achado na investigação epidemiológica do Serviço Veterinário Oficial de Santa Catarina. A confirmação veio do Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo, reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) como referência. A granja foi interditada e a saída de aves, suspensa.

Uma portaria publicada em 19 de outubro declarou emergência zoosanitária por 60 dias. Ela vale para Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim. Segundo o DGABC, 133 granjas estão sob vigilância na área próxima ao foco.

Para o Mapa, a atuação do governo evitou um embargo nacional. Em nota, o ministério afirmou: “A atuação do Mapa permitiu evitar a suspensão das importações provenientes de todo o território nacional”.

O que diz o Mapa: Em nota de 19 de outubro, o ministério disse que “o consumo de produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanece seguro, sem contraindicações”. A ocorrência será notificada à OMSA e aos parceiros comerciais. A redação não enviou perguntas específicas ao ministério antes desta publicação.

O que vem a seguir

O Mapa diz que novas informações serão divulgadas à medida que as investigações avançarem. Segundo a Agrimídia, o ministério mantém contato com as autoridades sanitárias dos países importadores. Até a publicação, não localizamos prazo para a reabertura dos mercados suspensos.

O tamanho do prejuízo depende de duas coisas: quanto tempo o foco leva para ser contido e se a China mantém o recorte estadual. Com 14 de 61 unidades afetadas, o restante do Brasil segue habilitado para o mercado chinês, ao menos por enquanto.

Como fizemos: Usamos a nota do Mapa de 19/10/2026, reportagens de 20 e 21/10/2026, dados da Epagri (jan.–set./2026), da ABPA (jan.–set. e set./2026) e do Agrostat (2025), acessados em 24/10/2026. A participação de 23% é nossa conta: 14 dividido por 61. Os números vêm de fontes e períodos diferentes e não foram corrigidos pela inflação. Os dados não mostram quantas aves foram perdidas, nem o efeito final sobre as exportações.

Fontes