Rotativo do cartão tem juro médio de 436% ao ano: como sair
Teto em vigor desde 2024 limita juros e encargos a 100% da dívida, mas o rotativo segue entre as linhas de crédito mais caras para as famílias.

O juro médio do rotativo do cartão de crédito foi de 436,2% ao ano em julho, segundo dados do Banco Central (BC) divulgados no fim de agosto. No parcelamento da fatura, a taxa média ficou em 189,3% ao ano. Para comparar, a Selic, a taxa básica de juros do país, caiu para 13,75% ao ano na quarta-feira (16).
O rotativo é o crédito que entra em ação quando o cliente paga menos que o valor total da fatura. O saldo que fica para trás é financiado pelo banco, com juros cobrados até a quitação.
Por que a taxa é tão alta e o que a lei limita
A Selic é só o ponto de partida do custo do dinheiro. Sobre ela, os bancos somam o risco de calote, impostos, despesas e lucro. Essa diferença entre o custo de captação e a taxa cobrada se chama spread.
No rotativo, o spread é muito maior do que a própria Selic. É um crédito sem garantia, que entra em ação de forma automática. Quanto maior o risco de não receber, mais o banco cobra.
Desde 2017, uma regra do Conselho Monetário Nacional (CMN) limita o uso dessa linha. O saldo só pode ficar no rotativo até o vencimento da fatura seguinte. Depois, o banco precisa oferecer um parcelamento em condições mais vantajosas para o cliente.
Em 3 de outubro de 2023, a Lei 14.690, que criou o programa Desenrola Brasil, trouxe um teto. Sem limites próprios aprovados pelo CMN, os emissores não podem cobrar juros e encargos acima do valor original da dívida. O CMN regulamentou a regra, que vale desde janeiro de 2024.
Na prática, uma dívida de R$ 1.000 no rotativo ou no parcelado não pode passar de R$ 2.000 só com juros e encargos. A taxa anual divulgada pelo BC, portanto, não é o custo que alguém paga ao fim de um ano, como o próprio banco explica.
A mesma lei garantiu a portabilidade da dívida do cartão. O cliente pode levar o saldo da fatura, mesmo já parcelado, para outra instituição. O banco de origem não pode cobrar pela troca, e a regra vale desde julho de 2024.
Como sair do rotativo
O primeiro passo é pagar a fatura inteira sempre que possível. Se não der, o melhor é ficar o menor tempo possível nessa linha.
Antes de aceitar o parcelamento oferecido pelo banco, compare com outras opções. Empréstimo pessoal e consignado, com desconto na folha de pagamento, costumam cobrar juros menores. Outros bancos podem fazer propostas de portabilidade.
Em qualquer proposta, olhe o Custo Efetivo Total (CET). Ele soma juros, tarifas e impostos e permite comparar ofertas diferentes. Também vale cortar o uso do cartão enquanto a dívida não for quitada, para o saldo não voltar a crescer.
O que diz o Banco Central: Segundo reportagem da Agência Estado, o BC explica que a taxa anual do rotativo é um registro estatístico, obtido ao projetar para 12 meses o juro mensal cobrado pelos bancos. Muitos clientes ficam na modalidade só por dias ou semanas, e o BC não pretende interromper a série.
A Selic está em queda desde março, e o crédito tende a ficar mais barato aos poucos. No rotativo, porém, a ajuda é pequena perto do tamanho da taxa. A saída mais barata continua sendo não entrar nele ou sair já no primeiro mês.
Fontes
- Lei nº 14.690, de 3 de outubro de 2023 — Planalto
- Resolução CMN nº 4.549, de 2017 — Banco Central do Brasil
- Estatísticas monetárias e de crédito — Banco Central do Brasil
- Juro médio do rotativo do cartão de crédito cai a 436,2% ao ano em julho, afirma BC — Acessa.com (Agência Estado)
- Conselho Monetário aprova teto de 100% para os juros do rotativo do cartão de crédito — InfoMoney
- BC reduz juros básicos para 13,75% ao ano — Agência Brasil



