Rotativo do cartão tem juro médio de 436% ao ano: como sair

Teto em vigor desde 2024 limita juros e encargos a 100% da dívida, mas o rotativo segue entre as linhas de crédito mais caras para as famílias.

Senador de terno claro gesticula ao microfone ao lado de outro senador, em reunião de comissão do Senado.
Reunião da CPI dos Cartões de Crédito, no Senado Federal, em Brasília, em 25 de abril de 2018 (imagem de arquivo).Foto: Geraldo Magela / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O juro médio do rotativo do cartão de crédito foi de 436,2% ao ano em julho, segundo dados do Banco Central (BC) divulgados no fim de agosto. No parcelamento da fatura, a taxa média ficou em 189,3% ao ano. Para comparar, a Selic, a taxa básica de juros do país, caiu para 13,75% ao ano na quarta-feira (16).

O rotativo é o crédito que entra em ação quando o cliente paga menos que o valor total da fatura. O saldo que fica para trás é financiado pelo banco, com juros cobrados até a quitação.

Por que a taxa é tão alta e o que a lei limita

A Selic é só o ponto de partida do custo do dinheiro. Sobre ela, os bancos somam o risco de calote, impostos, despesas e lucro. Essa diferença entre o custo de captação e a taxa cobrada se chama spread.

No rotativo, o spread é muito maior do que a própria Selic. É um crédito sem garantia, que entra em ação de forma automática. Quanto maior o risco de não receber, mais o banco cobra.

Desde 2017, uma regra do Conselho Monetário Nacional (CMN) limita o uso dessa linha. O saldo só pode ficar no rotativo até o vencimento da fatura seguinte. Depois, o banco precisa oferecer um parcelamento em condições mais vantajosas para o cliente.

Em 3 de outubro de 2023, a Lei 14.690, que criou o programa Desenrola Brasil, trouxe um teto. Sem limites próprios aprovados pelo CMN, os emissores não podem cobrar juros e encargos acima do valor original da dívida. O CMN regulamentou a regra, que vale desde janeiro de 2024.

Na prática, uma dívida de R$ 1.000 no rotativo ou no parcelado não pode passar de R$ 2.000 só com juros e encargos. A taxa anual divulgada pelo BC, portanto, não é o custo que alguém paga ao fim de um ano, como o próprio banco explica.

A mesma lei garantiu a portabilidade da dívida do cartão. O cliente pode levar o saldo da fatura, mesmo já parcelado, para outra instituição. O banco de origem não pode cobrar pela troca, e a regra vale desde julho de 2024.

Como sair do rotativo

O primeiro passo é pagar a fatura inteira sempre que possível. Se não der, o melhor é ficar o menor tempo possível nessa linha.

Antes de aceitar o parcelamento oferecido pelo banco, compare com outras opções. Empréstimo pessoal e consignado, com desconto na folha de pagamento, costumam cobrar juros menores. Outros bancos podem fazer propostas de portabilidade.

Em qualquer proposta, olhe o Custo Efetivo Total (CET). Ele soma juros, tarifas e impostos e permite comparar ofertas diferentes. Também vale cortar o uso do cartão enquanto a dívida não for quitada, para o saldo não voltar a crescer.

O que diz o Banco Central: Segundo reportagem da Agência Estado, o BC explica que a taxa anual do rotativo é um registro estatístico, obtido ao projetar para 12 meses o juro mensal cobrado pelos bancos. Muitos clientes ficam na modalidade só por dias ou semanas, e o BC não pretende interromper a série.

A Selic está em queda desde março, e o crédito tende a ficar mais barato aos poucos. No rotativo, porém, a ajuda é pequena perto do tamanho da taxa. A saída mais barata continua sendo não entrar nele ou sair já no primeiro mês.

Fontes