Desenrola Adimplentes encerra dia 26 com juro de até 1,99% ao mês

Uma dívida de R$ 5 mil gera cerca de R$ 1,3 mil de juros em um ano a 1,99% ao mês, contra R$ 6,3 mil a 7%; o prazo acaba na segunda (26).

Fachada de uma agência da Caixa Econômica Federal com letreiro azul, porta de vidro e aparelhos de ar-condicionado na parede branca.
Agência da Caixa Econômica Federal em Paratinga (BA), em janeiro de 2023; a renegociação é feita no banco onde a dívida foi contratada (imagem de arquivo).Foto: Fronteira / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Na segunda-feira (26), termina o prazo para renegociar dívidas pelo Desenrola Adimplentes. O programa oferece juro de até 1,99% ao mês. Segundo a Agência Brasil, o prazo coincide com o fim da validade da medida provisória que criou o programa.

Para quem tem uma dívida de R$ 5 mil, a diferença entre as taxas é grande. Fizemos a conta de 12 meses, sem pagamentos no período, para mostrar o peso de cada taxa.

Quem pode entrar

Adimplente é quem está com as parcelas em dia. O nome do programa vem daí: ele mira quem ainda paga, antes que o atraso vire inadimplência e a dívida fique mais cara. O programa é para trabalhadores informais, sem vínculo formal de emprego. Ele cobre dívidas de crédito pessoal sem garantia de até R$ 15 mil. É preciso ter pago pelo menos quatro parcelas e estar em dia ou com atraso de até 90 dias. Servidores e aposentados ou pensionistas do INSS ficam de fora.

O governo lançou o programa em 29 de junho de 2026. Ele começou a operar de fato em agosto, depois de atrasos que o governo atribuiu a problemas operacionais.

O que um ano de juros significa

Os juros incidem sobre o saldo a cada mês e se somam a ele. Por isso, a diferença entre duas taxas cresce mais rápido do que parece à primeira vista.

Segundo o Meu Tudo, dados apresentados pelo governo indicam taxa média de cerca de 7% ao mês nessas operações. Em abril, o Banco Central mediu taxa média de cerca de 125% ao ano para crédito pessoal sem consignação, segundo o Estadão.

A 7% ao mês, os juros de uma dívida de R$ 5 mil ficam R$ 4,9 mil maiores em um ano Juros compostos sobre saldo de R$ 5.000, sem pagamentos, em 12 meses, em R$

Taxa mensal Saldo em 12 meses Juros no ano
1,99% 6.334 1.334
7% 11.261 6.261

Fontes: Meu Tudo (taxa de 7%, dados do governo); Diário de Pernambuco (teto de 1,99%). Cálculo: redação.

Sem pagamentos, a dívida de R$ 5 mil vira R$ 6.334 em 12 meses com o teto de 1,99%. A 7% ao mês, ela vira R$ 11.261. A diferença é de R$ 4,9 mil. É o peso de trocar uma taxa pela outra.

A conta usa só juros. Tarifas, IOF e multas não entram, e o valor final de um contrato real pode ser diferente. O exemplo de R$ 5 mil está dentro do limite de R$ 15 mil do programa; dívidas acima desse valor não entram nessa conta.

O prazo e a medida provisória

A renegociação vale até segunda-feira (26). Segundo a Agência Brasil, é também o dia em que perde a validade a medida provisória que criou o programa. As reportagens consultadas não citam outra prorrogação.

O que diz o Ministério da Fazenda: No lançamento, o ministro Dario Durigan disse que o programa dá aos informais “pela primeira vez, uma taxa decente” para renegociar dívidas, segundo o DGABC, em 29 de junho de 2026.

Para quem está nas regras, a comparação é entre o juro do contrato atual e o teto de 1,99% ao mês. O que fica em aberto é se o governo prorrogará o prazo de novo.

Como fizemos: Usamos reportagens da Agência Brasil (republicada pelo Diário Digital), do DGABC, do Diário de Pernambuco e do Meu Tudo, acessadas em 21/10/2026. A taxa de 7% ao mês é do Meu Tudo, que cita “dados apresentados pelo governo” sem nomear a fonte; a média de cerca de 125% ao ano é do Banco Central, segundo o Estadão. A simulação é nossa: juros compostos mensais, sem pagamentos, sem tarifas nem IOF, em 12 meses. Não conseguimos abrir a medida provisória nem o site da Fazenda; as reportagens dão números diferentes para a MP, por isso não o citamos.

Fontes