Como funciona a meta contínua de inflação de 3% ao ano

Desde 2025, a inflação de 12 meses é conferida todo mês, e o Banco Central só explica o desvio em carta após seis meses fora do intervalo.

Ilan Goldfajn, de óculos e terno escuro, sentado à mesa de reunião ao lado de outros diretores do Banco Central.
O então presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, durante reunião do Copom em Brasília, em 19 de julho de 2016 (imagem de arquivo).Foto: Agência Brasil / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Em julho, a inflação oficial acumulada em 12 meses ficou em 4,44%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice voltou para dentro do intervalo da meta depois de passar do teto de 4,5% em maio e junho. Pela regra atual, dois meses fora do intervalo não bastam para configurar o descumprimento da meta.

A inflação oficial é medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo IBGE. O jeito de conferir se ela está na meta mudou em 2025, com o fim da meta de ano fechado.

Quem define a meta e o que mudou

O Brasil adota metas de inflação desde 1999. A meta é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), formado pelos ministros da Fazenda e do Planejamento e Orçamento e pelo presidente do Banco Central (BC). Segundo o BC, a meta atual foi definida pela Resolução CMN 5.141, de junho de 2024.

O alvo é de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o intervalo vai de 1,5% a 4,5%. O CMN define o alvo, e o BC executa a política para alcançá-lo. A principal ferramenta é a Selic, a taxa básica de juros, hoje em 14% ao ano.

Até 2024, só a inflação de dezembro contava. O Decreto 12.079, de 26 de junho de 2024, criou a meta contínua, em vigor desde 1º de janeiro de 2025. Agora, a inflação acumulada em 12 meses é conferida todo mês.

A meta passa a ser considerada descumprida quando esse número fica fora do intervalo por seis meses seguidos. O decreto também exige que qualquer mudança na meta seja anunciada com pelo menos 36 meses de antecedência.

A carta aberta

Quando a meta é descumprida, o BC precisa se explicar em público. Ele publica uma nota no Relatório de Política Monetária, divulgado a cada trimestre, e uma carta aberta ao ministro da Fazenda.

O texto deve trazer três itens: as causas do desvio, as medidas para corrigi-lo e o prazo esperado para que funcionem. Se a inflação não voltar ao intervalo nesse prazo, o BC precisa escrever uma nova carta. O mesmo vale se o banco decidir mudar as medidas ou o prazo.

A primeira carta da meta contínua saiu em 10 de julho de 2025. O IPCA em 12 meses tinha ficado acima de 4,5% de janeiro a junho daquele ano, quando chegou a 5,35%. Segundo a CNN Brasil, o BC citou a atividade econômica aquecida, as expectativas de inflação distantes da meta e a inércia, a tendência de os preços carregarem aumentos passados.

Na mesma carta, o BC previu a volta ao intervalo até o fim do primeiro trimestre de 2026. Em abril deste ano, o índice estava em 4,39%, segundo a Agência Brasil.

O que diz o Banco Central: No Relatório de Política Monetária, o BC informa que a meta vigente, fixada pelo CMN, é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos. O banco registra que a meta é considerada descumprida se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos.

O próximo relatório deve sair até o fim de setembro, como exige o decreto. Antes disso, o Comitê de Política Monetária (Copom), que define a Selic, se reúne em 15 e 16 de setembro. A meta importa para o bolso porque orienta cada decisão sobre os juros e serve de régua para cobrar resultados do BC.

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