Como funciona a meta contínua de inflação de 3% ao ano
Desde 2025, a inflação de 12 meses é conferida todo mês, e o Banco Central só explica o desvio em carta após seis meses fora do intervalo.

Em julho, a inflação oficial acumulada em 12 meses ficou em 4,44%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice voltou para dentro do intervalo da meta depois de passar do teto de 4,5% em maio e junho. Pela regra atual, dois meses fora do intervalo não bastam para configurar o descumprimento da meta.
A inflação oficial é medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo IBGE. O jeito de conferir se ela está na meta mudou em 2025, com o fim da meta de ano fechado.
Quem define a meta e o que mudou
O Brasil adota metas de inflação desde 1999. A meta é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), formado pelos ministros da Fazenda e do Planejamento e Orçamento e pelo presidente do Banco Central (BC). Segundo o BC, a meta atual foi definida pela Resolução CMN 5.141, de junho de 2024.
O alvo é de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o intervalo vai de 1,5% a 4,5%. O CMN define o alvo, e o BC executa a política para alcançá-lo. A principal ferramenta é a Selic, a taxa básica de juros, hoje em 14% ao ano.
Até 2024, só a inflação de dezembro contava. O Decreto 12.079, de 26 de junho de 2024, criou a meta contínua, em vigor desde 1º de janeiro de 2025. Agora, a inflação acumulada em 12 meses é conferida todo mês.
A meta passa a ser considerada descumprida quando esse número fica fora do intervalo por seis meses seguidos. O decreto também exige que qualquer mudança na meta seja anunciada com pelo menos 36 meses de antecedência.
A carta aberta
Quando a meta é descumprida, o BC precisa se explicar em público. Ele publica uma nota no Relatório de Política Monetária, divulgado a cada trimestre, e uma carta aberta ao ministro da Fazenda.
O texto deve trazer três itens: as causas do desvio, as medidas para corrigi-lo e o prazo esperado para que funcionem. Se a inflação não voltar ao intervalo nesse prazo, o BC precisa escrever uma nova carta. O mesmo vale se o banco decidir mudar as medidas ou o prazo.
A primeira carta da meta contínua saiu em 10 de julho de 2025. O IPCA em 12 meses tinha ficado acima de 4,5% de janeiro a junho daquele ano, quando chegou a 5,35%. Segundo a CNN Brasil, o BC citou a atividade econômica aquecida, as expectativas de inflação distantes da meta e a inércia, a tendência de os preços carregarem aumentos passados.
Na mesma carta, o BC previu a volta ao intervalo até o fim do primeiro trimestre de 2026. Em abril deste ano, o índice estava em 4,39%, segundo a Agência Brasil.
O que diz o Banco Central: No Relatório de Política Monetária, o BC informa que a meta vigente, fixada pelo CMN, é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos. O banco registra que a meta é considerada descumprida se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos.
O próximo relatório deve sair até o fim de setembro, como exige o decreto. Antes disso, o Comitê de Política Monetária (Copom), que define a Selic, se reúne em 15 e 16 de setembro. A meta importa para o bolso porque orienta cada decisão sobre os juros e serve de régua para cobrar resultados do BC.
Fontes
- Decreto nº 12.079, de 26 de junho de 2024 — Planalto
- Meta para a inflação — Banco Central do Brasil
- Relatório de Política Monetária, junho de 2026 — Banco Central do Brasil
- Carta aberta de 10 de julho de 2025 — Banco Central do Brasil
- BC fará nova carta se inflação não voltar à meta no 1º tri de 2026 — CNN Brasil
- Inflação recua para 0,07% em julho e volta para meta do governo — Agência Brasil



