Grupo ligado a Paulo Guedes leva a Flávio plano de aposentadoria aos 67

Entidades empresariais, uma delas com Paulo Guedes como presidente de honra, entregaram a Flávio proposta de idade mínima de 67 anos para homens e mulheres.

Paulo Guedes, de terno e gravata, fala ao microfone e aponta com o dedo durante audiência pública na Câmara dos Deputados.
Paulo Guedes, então ministro da Economia, em audiência sobre a reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, em abril de 2019 (imagem de arquivo).Foto: Cleia Viana / Câmara dos Deputados / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

Idade mínima de 67 anos para homens e mulheres. Essa é a principal proposta de um plano entregue a Flávio Bolsonaro em 13 de outubro, segundo a Folha de Pernambuco. O documento veio de entidades empresariais: a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e a FIL Brasil. O presidente de honra da FIL Brasil é Paulo Guedes, ministro da Economia de Jair Bolsonaro. O INSS, Instituto Nacional do Seguro Social, paga as aposentadorias de quem trabalha no setor privado.

O plano vai além da idade. Propõe desvincular pisos do salário mínimo e rever o Bolsa Família. Hoje, nenhuma aposentadoria do INSS pode ser menor que um salário mínimo. Desvincular pisos do mínimo abre a porta para benefícios que deixem de acompanhar os reajustes dele. A campanha não endossou o texto e o trata como uma contribuição informal.

Por que o nome de Guedes pesa

Guedes não é um nome qualquer na Previdência. Foi o ministro que conduziu a reforma de 2019 no governo do pai de Flávio. No Senado, Flávio votou a favor dela no segundo turno, quando foi aprovada por 60 votos a 19, segundo a Agência Senado. Flávio, portanto, não é estranho a essa agenda. Já votou uma vez por regras mais duras de aposentadoria.

Esta revista não tem problema com reformas da Previdência. Quem paga a conta do sistema sabe que ele precisa de ajustes periódicos. O problema é outro: o candidato diz uma coisa, e o entorno dele propõe outra.

O plano das entidades empresariais, aliás, não é o único sinal. Em março, o coordenador da campanha, Rogério Marinho, defendeu uma nova reforma da Previdência num eventual governo Flávio. A entrevista foi dada à Folha e reproduzida por um blog.

Em 7 de outubro, a Folha revelou que a equipe econômica estudava um corte de cerca de R$ 250 bilhões em despesas obrigatórias. O pacote previa corrigir só pela inflação as aposentadorias do INSS. Previa o mesmo para o BPC, o benefício pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda.

O Estado de Minas descreveu a ideia como limitar o reajuste das aposentadorias e do BPC. A campanha disse que aquela não era sua posição oficial, segundo a IstoÉ Dinheiro.

O que o candidato promete

Em público, Flávio vai na direção oposta. Em 8 de outubro, prometeu reajuste acima da inflação para os aposentados, informou o Poder360. Chamou de “fake news” do PT a notícia sobre a correção só pela inflação.

Em 16 de outubro, disse que manteria os ganhos reais do salário mínimo e que não desvincularia as aposentadorias. Também prometeu não alterar os pisos de saúde e educação, segundo a InfoMoney.

O plano oficial registrado também não traz mudanças na Previdência nem no BPC. Ou seja: o documento do candidato fala uma língua, e o de seus aliados, outra.

Para quem planeja a aposentadoria, a diferença entre as versões não é detalhe. Uma idade mínima maior adia o benefício. Um reajuste só pela inflação congela o poder de compra. Um reajuste acima da inflação faz o oposto, mas custa mais caro ao Tesouro.

Também é preciso registrar o que não procede. Circulou nas redes que Flávio acabaria com o BPC e com o 13º salário e elevaria a aposentadoria para 75 anos. A checagem da TMC classificou essas publicações como falsas.

A proposta de 67 anos é real, mas não é dele. É de entidades ligadas a Guedes, entregue ao candidato e não endossada pela campanha. Atribuí-la a Flávio como compromisso seria errado. Ignorar quem a entregou também seria.

O que diz a campanha de Flávio Bolsonaro: A campanha afirma que não endossou o plano das entidades empresariais e o trata como contribuição informal. Flávio promete reajuste acima da inflação para os aposentados e chama de “fake news” do PT a notícia de que sua equipe estudava corrigir os benefícios só pela inflação.

Para o aposentado e para quem está perto de se aposentar, a dúvida é concreta. O candidato promete reajuste real. Seu coordenador fala em nova reforma. Um grupo que tem como presidente de honra o ex-ministro da última reforma propõe idade mínima de 67 anos. Até o dia 25, o eleitor merece saber qual dessas versões vale.

Fontes