Governo prioriza nove minerais para crédito e indústria

Lista orienta garantias e incentivos para transformar minerais no país; fundo terá aporte máximo de R$ 2 bilhões, com regras e contrapartidas.

Imagem de satélite das áreas de mineração de Carajás cercadas por floresta no Pará
Áreas de mineração de Carajás, no Pará, registradas por satélite em 19 de junho de 2017.Foto de satélite: NASA/METI/AIST/Japan Space Systems e U.S./Japan ASTER Science Team / Wikimedia Commons (domínio público)

O Conselho Nacional para a Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE) aprovou nesta quinta-feira (5) uma lista de 27 substâncias prioritárias. Nove receberam prioridade alta para políticas de fomento. O objetivo é ampliar o processamento no Brasil, em vez de concentrar a atividade na exportação de matéria-prima.

A lista orienta o acesso a instrumentos previstos na Lei 15.506/2026. Entre eles estão garantias para crédito e incentivos ao beneficiamento, etapa que separa o minério dos rejeitos. Projetos precisam estar no Cadastro Nacional e ser habilitados pelo conselho.

Nove minerais estão no topo

Terras raras, grafita, lítio, níquel, cobalto, cobre, manganês, silício e urânio formam a classe de alta prioridade. Esses recursos são usados em baterias, ímãs, eletrônicos, energia e defesa. A lista poderá ser atualizada em reuniões futuras.

Alta prioridade reúne nove dos 27 minerais listados Classificação aprovada pelo CIMCE em 5/11/2026

Prioridade Quantidade Minerais
Alta 9 Terras raras, grafita, lítio, níquel, cobalto, cobre, manganês, silício e urânio
Média 8 Tungstênio, cromo, vanádio, tântalo, titânio, fosfato, potássio e enxofre
Baixa 10 Nióbio, estanho, ferro, zinco, ouro, magnésio, molibdênio, tório, alumínio e grupo da platina

Fonte: Casa Civil, lista aprovada na primeira reunião do CIMCE.

A classificação usou cinco critérios: risco geopolítico, concentração da oferta, possibilidade de substituição, posição brasileira na cadeia e dependência externa. Não se trata apenas de medir reservas. Um mineral pode ser abundante no país e ainda exigir tecnologia ou processamento importado.

A classe baixa não retira um mineral da política. Todos os 27 integram a lista de elegibilidade, mas a prioridade orienta o acesso aos instrumentos. Ferro e nióbio, por exemplo, permanecem incluídos. O conselho poderá rever a posição deles conforme riscos e necessidades produtivas.

Incentivos têm tetos e prazos distintos

O Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM) poderá receber até R$ 2 bilhões da União. O fundo compartilhará riscos para facilitar financiamentos. O aporte depende de ato da Fazenda, disponibilidade orçamentária e das regras de integralização.

Outro instrumento é o Programa Federal de Beneficiamento e Transformação de Minerais Críticos e Estratégicos (PFMCE). Seu limite será R$ 1 bilhão por ano em créditos fiscais entre 2030 e 2034. São até R$ 5 bilhões em cinco anos, sujeitos às leis orçamentárias e aos procedimentos de seleção.

Os dois limites não representam um repasse imediato de R$ 7 bilhões. Um trata de garantias; o outro, de incentivos fiscais futuros. A distinção importa para avaliar o impacto nas contas públicas e a efetiva chegada dos recursos aos projetos.

A lei também prevê participação das empresas. Por seis anos após a regulamentação, elas deverão destinar ao FGAM pelo menos 0,2% da receita operacional bruta, descontados os tributos. Outros 0,3% irão para pesquisa, desenvolvimento e inovação. No PFMCE, o crédito fiscal poderá alcançar 20% da despesa elegível.

O que diz a Casa Civil: A nota de 5/11/2026 afirma que a política busca agregar valor no país e ampliar empregos qualificados. O órgão informa que o apoio exigirá pesquisa, contrapartidas socioambientais e uso de produtos e mão de obra locais.

Industrialização depende de execução

A lei exige investimento em pesquisa, desenvolvimento e inovação. Também prevê diálogo com comunidades, compras locais e medidas de segurança para rejeitos. A Agência Nacional de Mineração (ANM) mantém as funções de regulação, fiscalização e outorga de direitos minerários.

A política pode fortalecer a soberania produtiva se financiar tecnologia e fornecedores brasileiros. O resultado dependerá da seleção transparente, do cumprimento das contrapartidas e da fiscalização ambiental. Reservas minerais, sozinhas, não criam uma cadeia industrial completa.

O próximo passo cabe ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Em 15 dias, a pasta deverá apresentar uma proposta para as cadeias produtivas prioritárias. Esse documento indicará quais etapas industriais receberão atenção antes da abertura dos projetos ao fomento.

Como fizemos: Consultamos a Lei 15.506/2026 e a lista divulgada pela Casa Civil em 5/11/2026. Contamos os minerais por classe e separamos o teto do FGAM dos créditos fiscais de 2030–2034. Os limites legais não foram tratados como gasto já realizado.

Fontes