Câmbio flutuante: como o dólar é definido e quando o BC age

Desde janeiro de 1999, o mercado define a cotação do dólar no Brasil, e o Banco Central só intervém com leilões e swaps em momentos de estresse.

Vista de baixo do edifício-sede do Banco Central, em Brasília, com vidros escuros e céu azul.
Edifício-sede do Banco Central, em Brasília, em junho de 2004 (imagem de arquivo).Foto: Алексей Крашенинников / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Em 18 de janeiro de 1999, o Banco Central (BC) publicou o Comunicado nº 6.565 e oficializou a livre flutuação do câmbio. Desde então, quem define a cotação do dólar no Brasil é o mercado. O preço sobe ou desce conforme a oferta e a procura pela moeda americana.

Antes, o país usava um sistema de bandas cambiais, em que o BC fixava limites para a cotação. Segundo relatório do próprio banco, a mudança veio “após forte pressão do mercado”. Em janeiro daquele ano, investidores tiravam dólares do país porque duvidavam que as bandas se sustentariam.

O que move o dólar

No câmbio flutuante, o dólar fica mais caro quando há mais gente querendo comprar a moeda do que vender. Entram dólares quando o país exporta, recebe investimentos ou toma empréstimos no exterior. Saem dólares com importações, viagens, remessas de lucros e a retirada de investidores.

Os juros também pesam. Juros altos no Brasil atraem aplicadores estrangeiros, que trazem dólares para investir aqui. Já a desconfiança sobre as contas públicas faz o investidor exigir mais retorno ou levar o dinheiro embora.

A cotação muda a cada minuto e resume todas essas forças ao mesmo tempo. Flutuar, porém, não significa que o BC fica parado. O regime permite intervenções para conter movimentos bruscos, sem meta para o preço do dólar.

As ferramentas do Banco Central

O BC tem três ferramentas principais. A primeira é o leilão à vista, em que o banco vende dólares das reservas sem compromisso de recompra. A segunda é o leilão de linha, em que o BC vende dólares e se compromete a comprá-los de volta numa data marcada.

A terceira é o swap cambial, um contrato liquidado em reais, sem entrega de dólares. No swap tradicional, o BC paga ao investidor a variação do dólar e recebe juros em reais. Funciona como um seguro contra a alta da moeda, sem gastar reservas.

Um episódio recente mostra essas ferramentas em ação. Entre 12 e 30 de dezembro de 2024, com o dólar acima de R$ 6, o BC vendeu US$ 32,6 bilhões, segundo a Reuters. Foram US$ 21,6 bilhões em leilões à vista e US$ 11 bilhões em leilões de linha.

Os leilões à vista saem das reservas internacionais, o estoque de moeda estrangeira e outros ativos que o BC guarda. No fim de julho de 2026, as reservas somavam cerca de US$ 370 bilhões, segundo a série histórica do banco. Elas funcionam como um colchão para momentos de crise.

O que diz o Banco Central: O presidente do BC, Gabriel Galípolo, tratou do tema em novembro de 2025, segundo o Estadão Conteúdo. Ele afirmou que o banco é “muito contente com a linha de defesa do câmbio flutuante”. Também disse que o BC acompanha indicadores para identificar quando alguma disfuncionalidade exige intervenção.

Para o leitor, o câmbio flutuante tem efeito direto no bolso. O dólar influencia o preço de combustíveis, do trigo, dos eletrônicos e das viagens ao exterior. Entender que a cotação reflete juros, contas públicas e cenário externo ajuda a ler as oscilações, e a perceber por que o BC raramente tenta segurá-las.

Fontes